Fonte da inovação: Maria Augusta Orofino

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Especialista em inovação, Maria Augusta Orofino possui mais de 20 anos de experiência na área de consultoria organizacional. Mestre em Gestão de conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em administração pública e marketing, Guta, como é conhecida, possui uma visão muito ampla sobre o que é inovação e como fazer para inserí-la em diversos ramos do mercado. Atualmente realiza trabalhos nessa área para a Inova SC, empresa responsável pelo programa de inovação do Estado, além de ser diretora da Prospect Business inovation, que faz consultoria de empreendedorismo, desenvolvimento de modelos de negócios, design thinking e inovação.

Para Guta, a inovação deve ser incitada desde cedo, sendo um processo que acontece primeiro nas pessoas e passa a refletir nas empresas. A especialista acredita também que as formas de produção adotadas pelos grandes centros empresariais estão ultrapassadas, é preciso acompanhar o modo como os processos caminham, e não parar no tempo. Determinada, Guta possui opinião forte e personalidade marcante, que emprega na construção de seu trabalho que hoje é referência no país. Maria Augusta recebeu a equipe da Giacomelli report na sede da Inova SC para a entrevista que você confere abaixo.

Por que você escolheu a área de inovação?

Na verdade eu não escolhi, foi ela que me escolheu. Eu trabalhava com organização de evento, numa empresa chamada Prospect, e há cinco anos eu vi que aquilo que era um diferencial, já estava ultrapassado. Eu fui então estudar novamente, fiz um mestrado em Engenharia de Gestão do Conhecimento. Por conta dos estudos de temas, acabei me deparando em como inovar na mudança de modelos de negócio. Como sempre tive muito contato empresarial e trabalhei 20 anos como consultora, acabei me tornando uma especialista no Brasil.

Quais as maiores dúvidas e os maiores erros que as empresas têm quando o assunto é inovação?

Para que você possa hoje ampliar mercado e ter um lucro maior, é preciso passar pela inovação. Quando as empresas estão numa fase que atingiram o topo de crescimento, elas precisam investir nessa área. As empresas chegam a mim para que eu realize um treinamento ou consultoria. O treinamento ensina as pessoas a inovar na empresa, e a consultoria, processos de monitoramento e supervisão. A inovação que trabalhamos não é tecnológica, é na forma de mudar as pessoas, o marketing e a gestão do seu negócio.

E qual a maior dificuldade das empresas de aceitar que precisam buscar a inovação?
É sair da área de conforto e aceitar que possuem um problema. É preciso entrar no inesperado, no desconhecido, porque a inovação é imprevisível, pois como ela pressupõe uma aceitação por parte das pessoas, só faz sentido se fizer sentido para elas.

Antes de buscar um profissional para auxiliar no processo, as empresas começam a errar muito. Esse erro é bom?

Em termos de aprendizado é bom. Nós sempre vemos retratado os casos de sucesso. Na verdade o processo de crescer recorre em erros calculados. A falha não é intencional, mas quando ela acontece passa a ser um aprendizado para que aquele grupo de pessoas saiba que não é mais aquele caminho. Se nós tivermos ajuda de um profissional, a chance do erro se repetir diminui. Também aprendemos com os erros, mas levamos mais tempo. Se estamos em um grupo coeso, eliminamos etapas. Costumamos interpretar a falha como um pecado. No entanto, o empresário que não falha, não tentou. Nossa educação escolar não trabalha o erro como etapa de aprendizado.

No Brasil, o que é destaque de inovação?

O Brasil é muito grande. Nós temos um Brasil em São Paulo que é muito inovador, ali acontecem os grandes processos de inovação. No norte, encontramos a inovação em outros aspectos, como no próprio manejo das florestas. Nosso país está despertando para esta necessidade, já temos muitos casos bem-sucedidos. O Brasil tem uma visão empreendedora, que facilita muito. Essa visão que a gente pode inventar e trazer o novo é muito do brasileiro, nós somos muito criativos. Mas a criatividade precisa ser transformada em modelos de negócios, pois não é só inventar, é preciso saber como empregar e lucrar com isso.

Em relação aos trabalhadores, o que mudou na forma de produção?

Compreender o valor e a contribuição que as pessoas tem para dar é um desafio das empresas. Empresas que estão muito hierarquizadas, que ainda têm um posicionamento de censura, que trabalham ainda em linha de produção estão em um contraponto. Agora existe um grupo enorme de empresas que estão surgindo, investindo na área de conhecimento e criação, geralmente empresas mais voltadas a uma questão onde o intelecto do trabalhador é mais importante. Para elas não interessa quando o trabalhador vai fazer o trabalho, pois elas entendem que todos são empreendedores responsáveis por aquele negócio, e o que interessa é a entrega do trabalho, não interessando se ele fez em cinco minutos ou se ele virou a noite para resolver aquilo. Essas empresas devem ter a pauta não nas horas trabalhadas, mas na entrega do produto. Essa é uma quebra de paradigma muito grande. Algumas empresas ainda não conseguem se adaptar a isso, infelizmente.

Então o caminho é ser mais flexível?

Quando você trabalha com criatividade não pode determinar a hora que isso vem. Eu por exemplo, não tenho hora para trabalhar. Trabalho com aquilo que eu gosto, me divirto, me distraio, mas quando tenho que entregar eu entrego, não importa a hora. Conseguir esse equilíbrio é aquilo que todo mundo deveria almejar. Quando se muda o foco, tudo fica mais flexível. O ambiente tem que ser de confiança, e não de medo. O modelo de gestão que a maioria ainda adota é de 1910, muito antigo, como vou querer inovar se ainda sigo esse modelo? E tem empresas que utilizam essa linha de produção e querem que os trabalhadores criem. Não vai sair, não tem como.

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1 comment

  1. Muito bom ler uma entrevista desta.
    A Maria Augusta uma vez mais nos ajuda a abrir os olhos.

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